O Liberalismo sempre foi Verde


Para alguns elementos da sociedade, sem soluções efetivas, economicamente viáveis e sustentáveis, que asseguram financiamento e incentivos, toda a política ambiental parece resumir-se à aplicação de impostos ou taxas e benefícios fiscais, em carga fiscal e intervenção do Estado. Não sendo os próprios especialistas que falo empresários, investigadores ou empreendedores, apenas grupos de pressão e peritos, não tendo por isso capital ou soluções efetivas como tecnologia e alternativas, indicam um futuro catastrófico salvo com taxas, aqui e ali, sobre empresas e consumidores para refletir as externalidades negativas do consumo. Espera-se que a taxa faça acontecer ação de mudança de comportamentos e crie a necessidade de encontrar alternativas, como se esta não possa ser refletida em custos e por sua vez salários, prémios e preços, sem qualquer mudança efetiva e relevante.

Assim, a taxa em si aumenta o custo para quem polui, falta saber se quem polui é quem produz ou quem consome, mas certamente retira capital dos indivíduos, consumidores e empreendedores, para que estes possam encontrar alternativas. Não é uma solução em si mesma e poderá ser absorvida por reduções de outros custos e aumentos de preço ao consumidor.

Para especialistas custa-me um bocado ouvir estas soluções nos meios de comunicação. Aguardo sempre que um especialista traga um plano no tempo, com alternativas e cenários, avaliações de impacto e casos de estudo. Se por um lado alguns dos grupos são céticos em relação às empresas e indivíduos depois recomendam taxas para influenciar o comportamento dos indivíduos e para que os grupos de indivíduos, referidas empresas, se vejam na necessidade de encontrar uma solução de forma quase… mágica.

Para quem não acredita plenamente no indivíduo que criou o problema deposita muita confiança no mesmo individuo para encontrar a solução. Para além de alguma incongruência na atribuição de responsabilidades e esperanças, não sei mesmo se as empresas de forma individual conseguem financeiramente e tecnicamente encontrar e difundir uma solução viável, nem os consumidores as alternativas, em tempo útil com a simples aplicação de taxas.

Por defeito não acredito que grupos de indivíduos selecionados ou organizados sejam melhores que indivíduos organizados em sociedade. Se as empresas, grupos organizados, são más por corrupção e luta de poder, também o é o Estado, um grupo organizado corrompido pelo poder. Assim é na democracia que encontro a solução, no mercado livre, na opinião de cada um, na transparência e educação, na formação e trabalho. É na rede complexa de indivíduos que compõe a sociedade que encontro a solução, no voto e debate, na partilha e construção conjunta de soluções, organizada pelas necessidades e interesses de todos e não as de alguns.

Para os que não acreditam no indivíduo vão ter de viver na inconsistência constante de precisar de sociedade e detestar a sociedade, amor-ódio contínuo, uma tortura. Aceitem o próximo como se aceitam a vos mesmo, ninguém é perfeito. Por vezes penso que o cúmulo de todos estes raciocínios termina com o extermínio de toda a humanidade, por limitação de recursos, apenas se salvando um grupo de puros, nomeadamente do messias que propõe a solução e os seus seguidores. É assustador.

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