Não há liberalismo sem responsabilidade


Assim como "com grandes poderes vêm grandes responsabilidades" ou "não há liberdade sem responsabilidade", o liberalismo económico, social e político não significa a ausência de regras, responsabilidades e também não significa a ausência de Estado. O liberalismo significa uma maior responsabilidade no Estado que deve ser mais assertivo e eficaz, com isto deverá trabalhar com menos recursos e até menos intervenção em grandes setores económicos focando-se no seu papel fulcral, aquele que a iniciativa não consegue ou não deve desempenhar, a justiça, a segurança, a defesa nacional, mas também, sendo sempre discutível até que extensão, na rede social de saúde e de educação, onde a iniciativa livre poderá não chegar de forma tão eficaz, ainda que o associativismo seja muito forte em economias liberais.

Gostamos de dar o exemplo da saúde nos Estados Unidos, mas no liberalismo não falamos necessariamente da ausência de financiamento público da saúde (SNS, ADSE e afins) ou de instituições públicas de saúde. Muitos dirão que a saúde não é um negócio, mas também o é. E como em qualquer economia os recursos são limitados, sendo que se dispensarmos todos os recursos num caso não temos recursos para aplicar noutros. Com o negócio da saúde grandes investimentos em equipamentos, técnicas e fármacos foram realizados, diria que nem tudo é mau e que muitos dos problemas atuais não se prendem necessariamente com ser ou não ser negócio, gerar ou não lucros, mas da própria gestão e administração, propriamente dita e ausência de alternativas. Não vemos necessariamente consenso nos vários fóruns sobre aplicar mais meios ou menos meios, ser mais natural ou mais artificial, por isso seja pela criação de alternativas ou de maior transparência no setor podemos contribuir para a resolução dos vários problemas. Diria por isso que o liberalismo será de certo uma grande ajuda.

Por outro lado, julgo que todos sentimos que muitos elementos da sociedade vêm o Estado e o Governo como uma forma de ascensão social. É fácil assumir o roubo, a usurpação, a influência, a corrupção com base em todos os casos conhecidos de administradores nomeados, e-mails e gravações de chamadas com troca de influência e pedidos especiais entre todos os casos de justiça. Sentimos aquilo que depois se comprova mesmo que não leve, com tantos recursos, a muitas prisões, nem todos os governantes, ou antes, nem todas as pessoas, sentem o mesmo peso da responsabilidade ou pelo contrário sentem que o poder lhes dá o direito de abusar do lugar ou até privilégios.

Com grande liberalismo vêm grandes responsabilidades, maior transparência, mais alternativas e concorrência, menos e mais Estado. Da política fiscal até à burocracia da administração pública passando pela justiça que é célere com quem rouba um pão e lenta ou ineficaz para quem rouba milhões. Sentimos injustiça e por isso ressentimento perante as autoridades que merecem o nosso respeito. Vamos ser positivos, criar um novo contexto de governação que promova mais transparência, mais justiça, mais oportunidades e mais crescimento, tudo com responsabilidade e assumindo os deveres da nossa posição na sociedade, na família e em nós.

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